A
IMPORTÂNCIA DO ATERRAMENTO NOS CIRCUITOS
ELÉTRICOS DE INFORMÁTICA
O bom funcionamento de
um sistema informatizado em rede depende de uma boa infra-estrutura
elétrica e lógica.
Por infra-estrutura de boa qualidade pode-se entender a utilização
de materiais de qualidade e adequadamente dimensionados; circuitos elétricos
de informática independentes dos demais; cabos elétricos
flexíveis e dimensionados segunda as normas da ABNT; tomadas tripolares
polarizadas de acordo com os padrões de informática; tubulações
ou canaletas separadas para cabeamento elétrico e lógico;
conectores, rack's e patch panels devidamente montados e identificados
e, principalmente, a existência de um sistema de aterramento
eficiente.
O aterramento é o principal fator de segurança para a rede
de computadores, pois ajuda na proteção contra surtos,
sobrecargas, transientes, descargas atmosféricas, etc. Estas
anomalias "caminham" para
o ponto de menor resistência elétrica do circuito, e no
caso de não existir um bom aterramento, chegarão nos
equipamentos, provocando alguns dos seguintes sintomas:
1) Queima de
placas eletrônicas ou de componentes (circuitos integrados,
capacitores, transistores, etc) sem razão aparente, mesmo
em equipamentos novos e confiáveis;
2) Funcionamento irregular de microcomputadores, com constantes “travamentos” ou
falhas intermitentes que não seguem um padrão;
3) Interferências ou ondulações de imagem nos monitores
de vídeo;
4) Mau funcionamento de hubs, switches e roteadores e, em conseqüência,
da rede como um todo;
5) Choques elétricos de intensidade variável em pessoas
que estejam em contato físico com os gabinetes metálicos
dos equipamentos.
Fazendo uma analogia simples, um sistema de aterramento pode ser
comparado a um sistema de escoamento de água, como ocorre em uma pia de
cozinha. Quando há caminho livre para o escoamento, ele ocorre
facilmente, e é direcionado para um único lugar (caixa
de gordura e daí para o sistema de esgoto). Mas se existe alguma
obstrução no trajeto, a água descerá mais
devagar, havendo um acúmulo na cuba da pia, o que poderá provocar
vazamentos para lugares indeterminados e indesejáveis (piso, armários,
gavetas, apartamento do vizinho, etc), fato que certamente provocará danos
diversos.
Um detalhe importantíssimo a respeito das instalações
elétricas é que para efetuar o fornecimento de energia,
a concessionária exige que o neutro da instalação
elétrica esteja aterrado. Esta medida serve para evitar que
interferências
externas venham através do neutro e prejudiquem a instalação
do usuário. Este terra não pode ser utilizado para
a proteção
de equipamentos. No neutro há sempre circulação
de corrente elétrica, pois sua função é fechar
o circuito elétrico (qualquer equipamento de 110 V funciona
conectado entre os fios fase e neutro). O terra deve ser um terceiro
fio, ligado
ao pino de aterramento das tomadas tripolares, e conectado a uma
malha de aterramento, constituída de uma ou mais hastes metálicas
apropriadas. A prática de “puxar” o terra a partir
do neutro (já que este é aterrado), apesar de comum
entre eletricistas, é errada. No terra não circula
corrente elétrica
alguma, exceto aquelas originadas por fatores anormais, tais como
os citados anteriormente (surtos, sobrecargas, transientes, descargas
atmosféricas,
etc.), justamente para “escoamento” das anomalias e re-estabelecimento
da normalidade dos circuitos. Como os gabinetes dos equipamentos
são
interligados internamente ao terra de sua fonte de alimentação
(que por sua vez deverá estar conectada a uma tomada tripolar
adequadamente aterrada), têm-se aí uma proteção
eficaz contra choques elétricos (é mais fácil
qualquer sobre-tensão se escoar através do terra conectado
ao gabinete – que
tem resistência elétrica muito baixa – que pelo
corpo da pessoa que eventualmente esteja em contato com ele).Concluindo,
podemos
perceber que o aterramento tem grande importância
num sistema elétrico, principalmente naqueles que utilizam
equipamentos eletrônicos interconectados, tais como as redes
de computadores. A seguir, apresentamos uma seqüência
de dicas práticas
para obtenção de uma instalação elétrica
adequada.
ORIENTAÇÕES PRÁTICAS PARA CONSTRUÇÃO
DE REDE ELÉTRICA DE COMPUTADORES
1) As tomadas destinadas a alimentar os computadores e periféricos
de informática devem estar em circuitos exclusivos, ou seja, tais
circuitos não devem alimentar quaisquer outros tipos de dispositivos
(iluminação, rádios, ares-condicionados, ventiladores,
aquecedores, etc);
2) Os alimentadores e circuitos secundários devem ser dimensionados
adequadamente para a carga prevista. Objetivos: a) garantir corrente
elétrica dentro do limite suportado pelos fios/cabos e pela proteção
utilizada; b) garantir que, nos pontos de utilização, o
nível da voltagem seja adequado ao uso (próximo à voltagem
da rede). Em outras palavras, a bitola dos fios e cabos deve ser suficiente
para evitar quedas de tensão excessivas;
3) Deve-se manter um
padrão de cores nos fios elétricos
que diferencie N, F e T (neutro, fase e terra, respectivamente).
4) O
aterramento deve ser único para todos os pontos de utilização.
No caso de prédios separados, com aterramentos próprios,
os terras devem ser unificados através de cabo adequado. Em hipótese
alguma o terra poderá estar conectado ao neutro da instalação.
O critério utilizado pela Helpcenter para aferir a qualidade do
aterramento é o seguinte: voltagem entre Neutro e Terra não
deve ser inferior a 0,5 V nem superior a 3 V.
5) Polaridade – TODAS as tomadas devem ser do tipo 2P+T, e a seqüência
correta é: Neutro (N) na esquerda; Fase (F) na direita; Terra
(T) embaixo.

6) Não misturar nos mesmos dutos fiação elétrica
com cabos de rede. Quando não for possível a separação,
uma concessão que pode ser feita é manter numa única
canaleta PIAL de 50 x 20 mm fios elétricos (F/N/T) e cabos de
rede, DESDE QUE O VÃO CENTRAL DA CANALETA FIQUE LIVRE. Assim,
os cabos elétricos ficam numa extremidade e os cabos lógicos
(UTP) na outra, mantendo-se um espaçamento mínimo entre
eles que minimiza o efeito dos campos elétricos gerados.
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